terça-feira, 25 de novembro de 2014

Venâncio

O livro vermelho com poeira na estante, tem um titulo apagado em dourado, algo que não se pode mais ler.
Mas como seguir com a frustração de viver uma história sem saber do que se trata?
Dentre tantos livros a se escolher, o prateado na estante que chamava atenção,não, foi logo escolher o que quase se camuflava com o chão junto a poeira, a espera de ser folheado, mesmo temendo por tanto tempo não ser tocado, anseava pelo novo olhar.Quando finalmente achou que mais uma vez ia ser largado, a menina que o pegou, e achou a ti uma nova utilidade.
Agora a sós com o livro, dançava, ele tirou dela sua pele, ela fez pra ele uma capa, na qual agora bordado de azul estava intitulado algo que fazia referencia a solidão ser abolida, quando se descobre que dentro de ti há um coração qual almeja bater por algo que aconteça, pra que feliz apareça pulsando alegria em vez de solidão.

Janta

E a menina que ficou desamparada
pelo moço, que se atrasa na chegada
Mas que chegou, sem data marcada
que vai
com hora exata
E parte
na hora errada
E o moço que foi
em qualquer ônibus,
pra qualquer lugar,
embarca sem olhar pra trás.
Ambos
por medo de ceder
de correr
de arder o adeus
E a janta que agora não esfria mais
chora
por não ter por quem esperar

Mel (ao lado)

Oh moço
De qualquer lugar que veio
mas não é pra qualquer lugar que vai.
E quando pra qualquer lugar volta
só deixa de lembrança um vazio
Vazio esse que agora tomou o meu lar por moradia.
E moço, quem diria?
Que o que já havia visto, não passou despercebido
mas passou
e de repente
...voltou...
Não teve saudação
Não teve despedida
Se perguntar quando entrou eu não sei dizer não
mas se for embora de certo eu vou saber.